
Carrinhos de brinquedo do tipo Matchbox atravessam gerações: primeiro como objetos de fascínio infantil, depois como itens de coleção e, por fim, como fragmentos de memória. Na minha história pessoal, eles aparecem na lembrança de caminhos improvisados no barranco, ao lado de um riacho, no lugar onde a família passava férias, em Petrópolis. Mais tarde, reaparecem nas brincadeiras do meu filho e dos filhos de um amigo próximo.
Esse amigo é Nelson Monteiro — colega desde a escola e parceiro em diversos projetos. Foi ele quem concebeu e construiu a primeira Autopista, inicialmente não como produto, mas como uma solução prática para organizar a energia caótica da brincadeira de carrinhos dentro de um apartamento: sem barranco, sem riacho, mas com a mesma vontade de inventar percursos.
A transformação da Autopista em produto seriado veio depois, nos anos 1990, somando-se a uma pequena série de brinquedos autorais desenvolvidos naquele período: Brique, Hotdogs (um revival dos cachorrinhos magnéticos dos anos 1950) e Casa para Playground.
De produção deliberadamente simples — corte e vinco e impressão serigráfica sobre plástico EVA —, a Autopista é composta por peças encaixáveis: retas, curvas e cruzamentos inscritos em um mesmo módulo quadrado. A partir dessas unidades, é possível construir desde um traçado elementar até percursos maiores e mais complexos, evocando o princípio lúdico e combinatório das pistas do clássico Autorama.
Matchbox-type toy cars span generations: first as objects of childhood fascination, later as collectibles, and eventually as fragments of memory. In my own story, they appear in the recollection of improvised tracks carved into a hillside, beside a small stream, where my family used to spend our holidays in Petrópolis. Later, they reemerged in the play of my son and of the children of a close friend.
That friend is Nelson Monteiro — a schoolmate and long-time collaborator. He conceived and built the first Autopista, initially not as a product, but as a practical solution to organize the chaotic energy of toy-car play inside an apartment: no hillside, no stream, but the same desire to invent routes and paths.
The idea of turning Autopista into a serial product came later, in the 1990s, alongside a small series of authorial toys we developed at the time: Brique, Hotdogs (a revival of the magnetic puppies from the 1950s), and Casa para Playground.
Deliberately simple in its production — die-cutting and screen printing on EVA plastic — Autopista is composed of interlocking pieces: straight segments, curves, and intersections, all inscribed within the same square modular unit. From these elements, one can build anything from a basic track to larger and more complex layouts, echoing the playful, combinatorial logic of the classic slot-car racing tracks.


